"Você está a olhar para esta página, a ler o texto, e a construir o significado dessas palavras à medida que lê. Mas a atenção dada ao texto não descreve tudo o que se passa na sua mente. Enquanto exibe as palavras impressas e exibe o conhecimento conceptual necessário para entender o que escrevi, a sua mente exibe ao mesmo tempo mais alguma coisa, algo suficiente para indicar a cada momento, que é você e não outra pessoa, que está a ler e a entender o texto. As imagens sensoriais que você percebe externamente, e as imagens sensoriais que você evoca ocupam a maior parte do campo de acção da sua mente, mas não totalmente. Além dessas imagens existe ainda outra presença que significa você, como observador das coisas imagéticas, como agente potencial sobre as coisas imagéticas. Existe a presença de você numa qualquer relação específica com algum objecto. Se não houvesse essa presença os seus pensamentos não lhe poderiam pertencer.
A presença do "self", é o sentimento do que acontece quando o seu ser é modificado pela acção de apreender alguma coisa. Essa presença nunca se afasta desde que você desperta até ao momento em que se o sono começa, ela tem de estar presente caso contrário, você não existe". António Damásio, O Mistério da Consciência
Não há portanto duvidas de que o sentido do eu só existe perante o Outro.
Não há também dúvidas de que somos filhos da guerra, desde o sentido de menosprezar o Outro por características mais diversas, as mesmas características complexas que nos fizeram crescer como sociedade: “a religião, a moral, organização social e política, artes ciências e tecnologia”, estas mesmas divindades, só possíveis devido à consciência, são aquelas que nos envergonham por diferenças superficiais, ideológicas, desde a guerra santa, ao colonialismo, à eugenia em prol da pureza da raça.
À parte a fantasia do Éden, somos duma mesma família, aquela que nasceu em África, a nossa Eva mitocondrial, aquela que Darwin gostaria certamente de ter conhecido, se a aprendizagem se dá pela constante transformação do eu, ao mesmo tempo que Você se identifica consigo mesmo, pelo sentido constante do self, pois tudo o que possuímos como “superior” ao natural, não é nosso no sentido individual, à parte debater-se o sentido do que é a criatividade, tudo nos é dado, desde que nos cobrem com uma manta ainda inacabados, porque então Você insiste em debater um Eu pobre, estandardizado, identificando-se com preconceitos e ideias pré concebidas, e aniquilando um mundo dispare, plural, multifacetado, que se apresenta mesmo à sua frente, das formas mais ricas e diversas que a natureza pode oferecer, que lhe proporcionaria portanto um Self, ou melhor você mesmo, muito mais completo (sempre imperfeito, porque inacabado, parabéns à plasticidade cerebral) muito mais rico. Você mesmo acabando com uma identificação comercial das próprias ideias, e centrando-se numa valorização mais moral, desceria ao estatuto de igual para igual, desde o Índio, ao budista, ao punk, ao puto…
Se você ainda acha que não tem um contributo a dar à sociedade, apenas por uns trocos, só uns trocos apenas, se acha ainda é adepto da rasteira do self- made -man, e acha que tudo o que você ganha devido ao seu estafante esforço, (e os contratados?) já Saramago confronta em memorial do convento, que quem fez o convento foi mesmo cada um dos estafermos que fez carga de burro, e a culpa não foi só de uma das grandes pedras que para lá andavam) qualquer que seja o negócio que o faz lucrar, desde a indústria mineira, à farmacêutica, à prostituição, à industria de tabaco, se você acha realmente, que quer todo esse lucro para gastar em momentos bastante relaxados, julgado para uma alienação de si próprio aquilo que o fez “crescer”, pode fazer orelhas mudas às ideias de esquerda, e contemplar, aquilo que toda a gente compreendeu naquilo que Sócrates chama de benefícios fiscais e que Louça desmascara como sendo um errada ideia de concepção, Bloco de Esquerda mostra realmente o que significa Simplex.
Se você olha para o passado e ainda acha que a esquerda tem de ser comunista, comer crianças ao pequeno-almoço, mas não lhe incomoda o sentido capitalista e lato do termo, monopólio e o sentido “empresarial, pode votar ps, psd… whatever.
Se você acha que a politica não vale a pena, não vote, é bem melhor, se acha que mudanças são necessárias, pense com clareza, afinal asfixia democrática é o que? Asfixia de raiz ideológica, nem esquerda é comunista nem direita é hoje “capitalista”, hoje em dia a politica para ser feita tem de ser concreta e claro está, continuamos com problemas de índole, afinal vota-se em associações de pessoas com ideias fixas, não temos como se sabe o espírito ateniense, mas apesar de tudo, deixando as ideias ideológicas que não valem realmente a pena, pois a moral está nas acções de cada um, independentemente do partido que se encontra a governar em cada momento ou das leis que o poder judicial, nos envia por cassetete.
“O Estado somos todos nós, e o homem é um animal político”, se o medo é o da mudança, é melhor abrir os olhos, porque a mudança é inevitável desde que o mundo se tornou assim tão global, desde que uma informação desde a china a Portugal chega em segundos, desde que as malhas do futuro se revelam com um governo que um dia será mundial.
“E todavia como é difícil explicar-me! Há no homem o dom perverso da banalização. Estamos condenados a pensar com palavras, a sentir em palavras, se queremos pelo menos que os outros sintam connosco. Mas as palavras são pedras. Toda a manhã lutei não apenas com elas para me exprimir, mas ainda comigo mesmo para apanhar a minha evidência”. Vergílio Ferreira
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
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