Se os direitos e a dignidade humana fossem autónomos, semelhantes a conquistas divinas, ou melhor, aquisições universais, (ideias inatas?) a liberdade seria conquistada, mas, estes condicionam-se pela existência do outro e das suas próprias condutas, e interferem na mesma, a liberdade só será uma Lei régia para a civilização, quando os direitos e a dignidade, de todos, forem atingidos.
Ai a liberdade será uma Lei suprema, um estado de consciência e acção.
A anarquia poderá ser instalada, sendo vista como a anulação da hierarquia de poderes, esse sentido, só é possível com uma nova concepção do humano, o sentido da entidade individual como relevante no desenvolvimento do todo social, e não a submissão de caracteres individuais à colectividade.
São os círculos colectivos bem definidos na estrutura societária, que criam, à margem os direitos individuais, grupos de indivíduos que se regem por regras próprias e por sentimentos de pertença semelhantes, limitadores de uma absorção real da disparidade de essência natural, que nos envolve, a realidade, a origem do que nos circunda, o universo como um todo. Esta forma de organização social ainda arcaica, mostra-se como o problema e o conjunto de ideias e concepções que nos pautam a contemporaneidade.
As desigualdades quedam-se numa hierarquia de grupos, dentro dos diferentes campos humanos: politico, científicos, culturais, psíquicos, económicos, prolongando-se por conceitos raciais, …
A evolução do pensamento levou-nos a soluções que correspondem-se às aspirações do homem mais civilizado, mais orgulhoso a sua própria obra, a civilidade, o que nos levou ao longo da história a encontrar forma de organização que correspondessem a estas aspirações. A conquista democrática não é mais do que o conceito último, de organização mais plausível, a resolução matemática, que expressa a vontade do grupo em maioria num dado momento, num dado contexto.
A desigualdade impera assim na génese da humanidade e prolonga-se até aos nossos dias sobre esta forma de expressão, o sufrágio.
Actualmente o combate ao direito das minorias à expressão e sobrevivência é tema constante, contudo assiste-se constantemente a nações a introduzirem-se como baluarte de leis e modelos em sociedades ainda em estados emergentes de desenvolvimento, muitas vezes da própria identidade colectiva. São atentados de uma maioria institucionalizada e aceite no mundo considerado tecnologicamente moderno, segundo os seus próprios critérios, estes apenas são aceites por um colectivo de maior força à escala global, como o exemplo da ditosa democracia que banha o continente europeu, e o continente Norte – Americano, etc… São erros que já foram cometidos no passado, numa tentativa sempre aterradora que o homem tem de expansão, em que sociedades próprias foram sacrificadas e injectadas de um mundo que criou os desnivelamentos que hoje se vêm à escala global, do poderio de umas nações sobre outras, arrastando interesses públicos e de supressão económica, de mão-de-obra escrava, das desigualdades sociais vigentes, da fome no mundo, das epidemias, qual criação divina para politicas anti-natalistas, de um mundo já cheio de tudo, de ideias, de pessoas, de êxodos populacionais que revelam novas estratégias a encontrar, tudo por uma ideia de sociedade, de união forçada, … de uma união federalista como remendo para trapos.
A humanidade faz-se a si próprio no sentido do semelhante que o acompanha, o direito ao desenvolvimento é um Dever Social e não uma obrigação individual.
Logo a axiologia e a ética tem de imperar sobre qualquer tentativa de criar o homem puramente técnico e o homem que pensa como produtor de material para charlatães e elites do bom ócio.
Estes serão campos a desenvolver como fazendo parte de uma metafísica necessária ao saber e de transposto para a técnica do real, visto que todo o problema se dá, desde sempre na conduta.
O que insiste, persite, sempre existe
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
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